A Difran, uma empresa de usinagem sediada em Sorocaba, foi fundada em 1985 e esteve prestes a fechar as portas à época do Plano Collor. Seu diretor, Dimas Francisco Zanon, manteve um único funcionário por não dispor do dinheiro necessário para a rescisão. Foram tempos difíceis, mas chegou a hora da virada. Em 1993, mesmo em dificuldades, investiu em tecnologia e adquiriu um torno CNC para atender a um cliente importante.
Zanon não concluiu a faculdade de Engenharia e confessa que já foi workaholic, trabalhando 16 horas por dia. Nos últimos anos já tem conseguido tirar férias. Sua trajetória à frente da Difran explica porque é um empresário de sucesso. Em 1998, a Difran já possuía Iso 9002, enquanto
poucas empresas do ramo buscavam obter certificação do sistema de qualidade. Depois do primeiro torno, R$ 2 milhões já foram investidos em tecnologia. Atualmente dispõe de 22 tornos CNC, quatro centros de usinagem, retificadoras centerless, entre outras máquinas. Quase 90% dos equipamentos têm menos de cinco anos e o restante, menos de oito anos.
A duras penas
Em 1985, a Difran existia apenas no pensamento de três jovens (um engenheiro químico, um técnico em usinagem e um técnico eletrônico) que juntaram as economias para montar seu próprio negócio. A idéia era prestar serviços terceirizados de usinagem para a empresa em que trabalhavam.
A Difran foi instalada inicialmente numa casa de moradia adaptada. Num dos quartos foi colocado 0 primeiro torno (um Joinvile) comprado em cinco prestações, uma furadeira e um esmeril. Durante o dia, eles trabalhavam em seus respectivos empregos. À noite, dedicavam-se à Difran.
Eles não conseguiram pagar a primeira prestação do torno e fizeram um empréstimo bancário. Com esforço e recorrendo as amizades, a situação melhorou porque a Silvistrini Correa (uma das poucas especializadas em usinagem existentes na Sorocaba na época), repassou-lhes serviços. Em 1986, o Plano Cruzado aqueceu a economia e houve aumento de demanda. Dois novos tornos mecânicos Nardini foram adquiridos.
A instabilidade econômica do País, no entanto , atingiu em cheio os negócios da pequenina Difran.
A edição do plano Collor, em 1990, quase levou o negócio a bancarrota. Em 1991, a Difran já não comportava sócios. Um deles já havia saído e Zanon adquiriu a parte que pertencia ao outro
proprietário. A idéia era efetuar o pagamento de forma parcelada para depois vender o que sobrara e partir para a reconstrução financeira.
Quando estava concluindo o pagamento, um cliente lhe propôs um serviço. Então, Zanon comprou o primeiro torno CNC e redirecionou Os negócios, partindo para a usinagem e para a produção.
Como a experiência demonstrou que as crises podem representar oportunidades, durante o apagão”, ao contrário da maioria das empresas, a Difran acelerou sua produção, recorrendo a um gerador de energia. Assim pôde atender seus clientes e conquistar outros.
Atualmente emprega aproximadamente 100 pessoas e está instalada numa área total de 6.000 in 2, com 1.200 rn 2 de construção. Registra um crescimento médio em faturamento de 30% ano, desde 1998. Sua capacidade de produção ocupada, nos últimos dois anos, atingiu quase 90%.