| Difran: Uma Empresa a todo vapor |
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Em 1986, com o Plano Cruzado, houve aquecimento da economia e o volume de serviços aumentou. A Difran decidiu adquirir dois tornos mecânicos da Nardini para dar conta do serviço. “Foi o nosso primeiro Finame”, recorda Zanon. “Tinhamos uma conta-salário no banco e o gerente, por amizade, resolveu nos conceder o financiamento.”
Veio o Plano Collor, que quase levou a Difran à bancarrota. Em 1991, a empresa já não comportava dois sócios. O terceiro já havia deixado a sociedade. “Acabei adquirindo a parte do meu sócio. Acertamos que o pagaria em 24 parcelas”, explica Zanon. “Meu objetivo era encontrar uma forma de pagar a dívida e, no 25º mês, vender o que sobrou para obter recursos para começar alguma coisa.”
O objetivo estava quase sendo atingido. Zanon havia pago a 23ª parcela ao sócio, quando surgiu ZF propondo lhe o negócio, que resultou na compra do primeiro torno CNC. Era o final de 1993. A compra do CNC exigiu também que houvesse um melhor direcionamento nos negócios.
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A partir da esquerda, Antonio Alexandre Marcuz e Dimas Zanon, da Difran, e Carlos Eduardo Pereira, da Mega Tools. |
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Cubos de rodas para
máquinas agrícolas. |
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Porta ferramentas e pastilhas
U-lock para rosqueamento. |
“Decidi partir para a usinagem, para a produção. Antes faziamos um pouco de tudo”, afirma Zanon. “De um barracão de 80 m2 parti para uma área de 200 m2. Investi na linha de produção seriada.
Quando tinha somente tornos mecânicos, achava que produzir 200 peças mensais era um volume para uma área de 200 m2. Investi na linha de produção seriada.
Quando tinha somente tornos mecânicos, achava que produzir 200 peças mensais era um volume astronômico. Com o torno CNC cheguei as mil peças mensais e, na seqüência, em 1994, comprei o segundo torno CNC”.
A empresa entrou num ciclo virtuoso que se mantem até hoje, especialmente depois de 2000, com a contratação do diretor Industrial e, para o biênio 2003-2004, Zanon planeja pagar os investimentos. “Serão dois anos pesadíssimos”, comenta, “mas lógico que ainda farei outros investimentos”, completa.
Mega Tools
Um parceiro importante para a trajetória da Difran é a Mega Tools, distribuidor autorizado da Sandvik Coromant. “O Carlos Eduardo Pereira nos atende desde que instalamos o primeiro torno CNC”, conta Zanon, referindo-se ao diretor da Mega Tools. “Ele sempre trouxe ferramentas e importantes inovações tecnológicas”.
Marcuz, por outro lado, revela que cerca de 80% das ferramentas utilizadas pela sua empresa são Sandvik. “Estou somando as da Hurth Infer, que pertence ao grupo”, esclarece, acrescentando que numa escala de zero a dez, daria nove ao atendimento. “Para dar uma margem de evolução”.
Conforme Marcuz, a Sandvik, por conta da desvalorização cambial de 2002, teve de aurnentar os preços em reais. “Porem, toda vez que questionávamos os reajustes, a Mega Tools foi procurar soluções técnicas para reduzir os custos do processo de usinagem, nos ajudando a absolver os repasses”, elogia.
Durante a entrevista, Marcuz deu sugestões sobre oportunidades de rnelhoria no suprimento de porta-ferrarnentas e componentes, onde acredita que a Sandvik tem espaço para ampliar sua participação na Difran.
Um dos pontos altos do relacionamento Difran - Mega Tools - Sandvik tem sido a franqueza e objetividade na maneira de conduzir os negócios entre as partes, uma prática que vem se consolidando no mútuo profissionalismo ao longo do tempo.
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Nada pode ser justificativa para deixar de atender o cliente. Se não houver equipamento adequado, a ordem é investir. Com essa filosofia, a Difran vem aumentando sua participação no mercado. Hoje trabalha com 90% de capacidade ocupada.
Ao final da rua de terra batida, protegida por um portão de ferro, um jardim bem cuidado, com roseiras floridas, saída os visitantes. Uma recepcionista sorridente nos leva a uma sala de recepção com paredes pintadas de verde claro. O ambiente convida a equipe do Mundo da Usinagem a ficar à vontade. Estamos na Difran, uma empresa de usinagem que surpreende pelos detalhes.
Sediada em Sorocaba, interior de São Paulo, desde 1985, a companhia ocupa área total de 6.000 m2, 1.200 m2 de construção, emprega 80 pessoas e produz 200 mil peças mensais. São 500 itens cadastrados, 250 de produção continua. Até o final do ano, serão 300 mil peças ao mês, conforme Os negócios fechados e engatilhados permitem projetar. O crescimento médio em faturamento, a partir de 1998, tem sido de 30% ano. Nos dois últimos anos, a capacidade de produção ocupada tem chegado perto de 90%. Mesmo ao longo de 2002, com a economia pouco favorável, conseguiu manter a taxa de ocupação. O faturamento foi da ordem de US$ 1 milhão.
Quem fornece estes dados é o diretor-presidente e proprietário da empresa, Dimas Francisco Zanon, pai de três filhos e avô de um neto de três anos. Aos 43 anos, faculdade de engenharia abandonada antes da conclusão, Dimas parece ser um empresário com a agenda bem resolvida. Fato raro hoje em dia, seu telefone celular não tocou em momento algum durante nossa conversa, que se estendeu por cerca de duas horas, incluindo o almoço. Diz ter sido workaholic. “ Trabalhava 16 horas por dia”, conta. Mas nos (últimos anos tem até tirado férias regulares).
Quem o vê tranqüilo, falando amenidades como se tivesse todo o tempo do mundo, não imagina que Zanon é um empresário capaz de tomar decisões ousadas, que os mais tímidos classificariam como temerárias. É verdade que teve experiências amargas. “Na época do Plano Collor, cheguei a ficar com um único funcionário. Não o demiti porque não tinha dinheiro para a rescisão”, confidencia. Não fosse a ousadia, ou a capacidade de agarrar as oportunidades surgidas na crise, a companhia talvez tivesse tido outra sorte. Um exemplo, em 2001, durante o “apagão”, quando grande parte das empresas pisava no freio, a Difran acelerava. “Instalei um gerador para poder trabalhar e atender os clientes”, informa.
Poderia se dizer que a decisão só foi tomada porque a empresa estava em crescimento. A julgar por outros atos, não parece. Quando estava à beira do naufrágio, em 1993, uma oportunidade lhe surgiu por meio da ZF, que lhe fez uma oferta. Zanon não tinha como atendê-los. Os tornos mecânicos que possuia não eram tecnicamente suficientes.
Não teve dúvidas: decidiu comprar um torno CNC e, a partir daí, os negócios começaram a deslanchar. No ano seguinte comprou o Segundo torno CNC.
Zanon parece ser um empresário sempre disposto a investir em tecnologia: foram cerca de R$ 2 rnilhões nos últimos cinco anos. As máquinas (15 tornos CNC, três centros de usinagem, retificadoras centerless e outras) são de causar inveja a muita empresa de porte maior. Aproximadamente 90% dos equipamentos tem menos de cinco anos e os 10% restantes, menos de oito.
O que faz Zanon investir em tecnologia não é simplesmente o gosto pelo novo: é a satisfação do cliente. Sua lógica para fazer novas aquisições é impecável: “Se eu não investir numa máquina para atender a um bom cliente, corro o risco de perdê-lo e ter duas ou três máquinas paradas”, raciocina.
A mesma lógica tem feito com que a Difran se tome o principal fornecedor para a base de clientes, que vem aumentando, chegando hoje a 10 ativos e 25 eventuais. “Estamos crescendo porque a concorrência abre brechas para nós”, avalia Zanon.
A verdade, porém, é que a Difran, no seu segmento específico de atuação, tem procurado manter-se na vanguarda. Por exemplo, em 1998 quando poucas empresas do ramo buscavam a certificação do sistema da qualidade, a Difran já exibia a certificação ISO 9002. A seguir, fez inserções publicitárias na rádio local alardeando a conquista: conseguiu mais clientes.
As paredes verdes claras, que pouco lembram uma fábrica, também não são fruto do acaso, tendo sido pintadas com base na psicodinâmica das cores. A idéia foi do diretor Industrial, Antonio Alexandre Marcuz, contratado em 2000, e prontamente aceita por Zanon. “As pessoas trabalham melhor num ambiente agradável”, avalia.
À troca de cores das paredes sucederam-se outras práticas pouco comuns entre as empresas do mesmo porte ou ate maiores: um jardim, um quadro com peixes e pássaros pendurado na parede da fábrica em contraste com as máquinas, a contratação de serviços profissionais para oferecer ginástica laboral três vezes por semana para todos os funcionários... “As pessoas precisam ter uma razão de viver depois do ex pediente, energia para carregar um filho no colo”, diz.
Evolução
Em 1985 três jovens, um engenheiro químico, um técnico em usinagem e um técnico eletrônico decidiram juntar as poucas economias e montar um negócio. “Poderia ter sido um bar, mas o sócio que conhecia usinagem no s convenceu a entrar no ramo. O mercado se abria para a terceirização e podiamos prestar serviços para a empresa na qual trabalhávamos”, diz Zanon, que é o técnico eletrônico da história.
A casa que Zanon havia construído estava ociosa, porque tinha adquirido outra do BNH. No quarto da casa vazia foi instalado o primeiro torno, “um Joinville ”, comprado em cinco prestações, uma furadeira e um esmeril. Os sócios trabalhavam em seus empregos durante o dia à noite, na Difran. “A nossa empresa também funcionava de dia, porque o tio de um dos sócios era aposentado e decidiu colaborar”.
Neste esquema, não conseguiram pagar a primeira prestação do torno. Fizeram um empréstimo bancário. A situação só foi melhorar com a ajuda da Silvistrini Correa, na época uma das poucas empresas de usinagem de Sorocaba. “Um dos sócios tinha relações de parentesco com o pessoal da Silvistrini Correa e eles nos repassaram um serviço”.
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